
Esqueça Britney Spears. A nova sensação do pop cotada para substituir Madonna no trono é uma garota de 23 anos com visual excêntrico e nome artístico inspirado em uma música do Queen. Sob o codinome de Lady GaGa, Stefani Joanne Germanotta virou hit nas rádios e nas pistas de dança, além de ter se tornado figurinha carimbada em tablóides ingleses e programas de TV norte-americanos.
Os elogios não têm sido poucos. O rapper Kanye West taxou em seu blog: "Lady GaGa é a nova Madonna". Nesta semana, a cantora estampou a capa da Rolling Stone norte-americana usando nada mais do que bolhas de sabão para cobrir suas partes pudicas, sob o título de "The rise of Lady Gaga" (A ascensão de Lady GaGa). A própria Madonna teve que levar a filha pré-adolescente Lourdes a um show da cantora, cujos hits "Just Dance" e "Poker Face" figuram nas listas das músicas mais tocadas das rádios pop brasileiras.
Tanta comoção, logicamente, é superestimada. Mas Lady GaGa tem lá seu talento, além de muita atitude - algo que vem a calhar após um longo período de cantoras pop certinhas, como Britney e Christina Aguilera, que depois provaram ser não tão puras como se pensava.
Assim como Madonna, a jovem começou a carreira em clubes nova-iorquinos. Também já compôs para artistas como Pussycat Dolls, a própria Britney e Fergie. Ao vivo, ela toca piano, dança e canta bem, sem play-back, como pôde ser conferido quando se apresentou no programa "American Idol". E ainda desenha as próprias roupas, apesar do bom gosto passar longe dali.
Em seu CD "The Fame" (Universal Music, R$ 28 em média), GaGa acerta quando aposta na combinação entre dance music e eletro, como em "Just Dance" e "Poker Face". As letras valorizam o hedonismo, falando sempre de festas, dinheiro e sexo, como em "Beautiful, Dirty, Rich", "Money, Money", "The Fame" e "Summerboy".
GaGa também se sai bem em faixas de apelo mais pop, como "Paparazzi" (que tocou na série "Gossip Girl") e "Boys, Boys, Boys". Mas escorrega quando tenta soar "doce" ou séria, vide "Eh, Eh (Nothing Else I Can Say)" e "Brown Eyes".
Se o momento de Lady Gaga vai durar, e se ela chegará ao mesmo patamar de Madonna, ninguém sabe. Talvez se possa ter uma ideia a partir de seu segundo disco. Por enquanto, ela pelo menos serve para renovar e tornar a música pop atual um pouco mais divertida.
